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quinta-feira, 25 de março de 2010
Diversidade
A Mudança - Parte 2
Trancou a porta no dia seguinte institiva e contraditoriamente para evitar a fuga do gato. “Alô!... Então, tem um gato lá em casa...” – inseriu o fato na conversa ao celular enquanto se dirigia ao ponto de ônibus. “Agora não sei o que fazer. O apartamento mal cabe a mim mesma...”. E nessa hora o tal observador tenaz poderia afirmar categoricamente que havia uma ponta de interesse de Ana na permanência do gato.
No trabalho a história era a mesma: o gato, o gato, o gato. Recebeu várias dicas dos amigos do departamento e acabou imaginando, afinal, que tê-lo em casa poderia ser algo diferente com o que lidar. “Não! Tá maluca! Ele vai encher de pelo suas roupas, vai miar pedindo comida e atenção” – dizia consciência consternada de Ana, enquanto a sua outra metade havia já se decidido a comprar um cesto onde o gato pudesse se aninhar, uma vez que ambas as Anas sabiam que no sofá ele não iria ficar. “De jeito nenhum”.
Comprou o cesto em um petshop e, dissuadida pela vendedora, comprou também uma bola de borracha que acendia luzes coloridas quando rolava pelo chão. Voltou para casa naquele dia disposta a doar o gato no dia seguinte. “Vai com cesto, bola e tudo” – disse incrédula para si mesma.
O gato a recebeu contorcendo-se em suas pernas, e querendo ou não confessar, Ana sentiu uma certa satisfação ao ser recebida por ´alguém´ em casa. Arrumou o cesto e colocou a bola para rolar, percebendo que ficara encantada ao ver o pequeno gato ronronar diante da bola e brincar com ela. De forma também inusitada o cesto fora acolhido como dormitóriopel gato, como se já estivesse esperando pela delicadeza desse gesto. E na mente de Ana a imagem dos dias seguintes contrastaram com a idéia quase contreta da doação imaginada mais cedo.
Amanheceu e o gato miava copiosamente um miado-choro irritante para qualquer pessoa. “O que foi? Já não disse que não sei fazer isso?”. O gato amaranhou-se em sua perna. Anna surpirou, jogou o cabelo para tras com as duas mão contornando a cabeça e ao abaixar para afagar desajeitadamente o gato percebeu que sua própria barriga roncara. “Fome. Nossa Senhora! O gato está sem comer desde ontem”. Correu e vestoiu qualquer coisa para ir ao merado mais próximo. “Comida para gato. Quanta variedade! Precisa ter tanta coisa assim?”. Voltou com uma lata indicada uma senhora que estava na mesma seção. ´Tem que ver o tamanho do gato´ - disse a senhora. ´Tudo depende do tamanho´. “Ok. Agora tenho que ver o tamanho do gato... Mas não tem jeito, vou levar a comida no chute, mesmo!” – pensou. “Uns 30 cm, eu acho...” – seguiu, passando as informações forjadas para a senhora que, compenetrada, escutava cada informação prestada. Voltou com duas latas. ´É uma por dia, menina. Não dê muito, senão ele passa mal... É macho ou fêmea?´. “Macho” – respondeu rapidamente, detestando a idéia de ter um gata em sua casa. Já ouvira muitas vezes que as fêmeas sofrem no cio, sendo quase rasgadas pelos macho na hora do acasalamento. “Ai, que horror”.
Curiosamente, houve uma boa adaptação entre Ana e o gato. Sim era macho. Desconfortada com a idéia de ter uma gata, Ana levou o bichano ao veterinário na semana seguinte. Vacinas, remédios, acessórios... “Uma grana, isso, heim!... Você tem que valer a pena, seu sem graça!” – disse, dessa vez sorrindo para o gato enquanto retirava a compra da sacola.
Mas nem tudo estava um mar de rosas. O gato achou o pé de sapato esquecido sob a cama e acabou com ele. Assim como desfiou boa parte de uma perna da calça jogada no chão. E considerando que a cada dia o gato trazia uma necessidade diferente. Que na verdadde não era uma necessidade dele, mas da própria Ana, gradativamente as coisas foram saindo do seu alcance.
“Agora eu tenho que arrumar as coisas porque o dondoco vai mexer em tudo, é?” E foi gradualmente organizando a bagunça espalhada pela casa. E na organização do espaço os defeitos foram aparecendo, assim com a também necessidade dos consertos. “Com é quenós chegamos até aqui mesmo?” – resmungava a cada troca, compra ou passada de vassoura. ‘Os gatos são muito limpos’, uma vez disse a senhora que agora passava a encontrar rotineiramente namesma seção do supermercado. Chegou a pensar que havia um certo tom de ironia na voz da velha, como se questionasse a sua limpeza. “ É. Eu sei, lembrando que fora obrigada pelo vendedor da petshop a comprar uma vasilha com uns grãos para que o gato fizesse suas necessidades ali.
´Ana, amanhã preciso que você mude-se para o terceiro andar. Estamos fazendo ulgumas mudanças e agora você vai para o grupo de endomarketing´ – foi comunicada, no corredor, pelo gerente como se a mudança se traduzisse em uma mera questão de geografia. Voltou para sua mesa inquieta pensando na sua trajetória naquela empresa. E se a menor distância entre dois pontos fosse realmente uma linha reta, já tinha chegado na outra ponta.
No dia seguinte retornou resoluta de que não tinha mais o que fazer por lá. Pediu demissão e voltou para casa com um sorriso escancarado no rosto como se acabara de fazer uma estrepolia de criança. “Oi Maurício. Voltei mais cedo hoje... Maurício!!!” – correu para a saia que comprara apoucas semanas.
Continua...
sábado, 13 de março de 2010
A Mudança
Um pé de seu par de sapatos estava jogado, tombado, atraz da porta. O outro sob a cama, encostado na parede após várias tentativas de limpeza, que terminara por empurralo cada vez mais para o fundo, aguardava o momento exato de ser limpo e juntar-se ao outro. A toalha azul desbotada dentro do cesto, junto às outras peças de roupa, dobrava-se sobre si mesma passiva há tempos esquecidos.
Uma camada ambar de poeira acumulava-se nos móveis dia após dia, num movimento lento e imperceptível, enquanto a torneira gotejava minuto a minuto o choro enferrujado vindo do cano sem manutenção. A luz do abajour queimada. A porta que rangia e esganiçava a a lateral na dobradiça a cada movimento.
O prato fundo sujo sopa ornava a pia como um enfeite velho que já não cabia no espaço. E o cabide colocado no puxador da porta do armário jazia inerte sem sua função de guardar e manter esticada a calça caída logo abaixo a dias.
Ela olhou em volta, sentou-se no meio da sala, ensaiou um suspiro lento e forçado de dentro dos pulmões. Arfou diante do desmazelo da casa, jogou a cabeça para tras olhando para o teto na esperança de ter o vislumbre de uma solução mágica. As mão apoiadas no chão, buscando o equilíbro do tronco. O alarme do celular tocou pontualmente, anunciando a hora inevitável do banho matinal. Seis horas. Puxou as pernas para sí em um movimento que as cruzou. Esboçou um arquejo do corpo estalando os ossos, que reclamavam a noite mal dormida e esticou os músculos encolhidos.
“Na hora” - pensou, levantando-se da posição de forma exageradamente lenta. “Está na hora”. Do jeito habitual de um ordinário dia de semana refez os passos já automatizados em direção ao banheiro. Abriu o chuveiro lembrando que tinha que chamar o bombeiro para ajeitar a carrapeta e tomou o banho.
Diante do espelho teve a costumeira conversa que iniciava o dia, planejando o que deveria fazer, enquanto escovava os dentes. Preparou o café da manhã olhando sorrateiramente o prato de sopa. “Na volta eu lavo”. E acumulou mais talheres na pia. Tomou o café e acendeu o primeiro cigarro do dia. “Depois desse só o do almoço” – advertiu-se. Passou pela calça no chão. “Esta está já está suja”. Jogou-a dentro do cesto cheio. Fez pressão e fechou estalando a trava da tampa.
“Onde está o outro?” – lembrou-se ao buscar novamente o par de sapatos. O tempo passava na lentidão do início do dia. Correu para o armário e escolheu a sandália marrom de salto baixo. O tempo passou. Corria mais rápido agora. “Porque não deixei tudo separado ontem?”. Pegou um vestido e habilmente o jogou sobre o corpo, deixando que ele deslizasse pelas poucas curvas que ainda permaneciam depois das esquecidas sessões de academia.
Olhou a bolsa e recordou que desde a chegada no dia anterior não havia tocado nela. “Então está dudo aí”. Pegou-a. Voltou ao banheiro tentando mante-la no ombro enquanto desajeita buscava o estojo de maquiagem dentro do armário. Passou um brilho nos lábios, o lápis no olho e saiu esquecendo a chave na porta.
“Está faltando alguma coisa”. Lembrou-se no elevador. Voltou sem a idéia exata do que buscava. “Meu Deus, a chave” - lembou-se. Correu pelo corredor como se tivesse pasado tempo suficiente para alguém te-la achado e entrado no apartamento desordenado. “Aquela bagunça toda!” – retaiu-se à idéia de que alguém pudesse ter entrado no apartamento de uma mulher e encontrado tanta coisa fora do lugar. Puxou a porta. “Doida, nem fechou a porta”. Trancou a porta. Pegou a chave aliviada.
O dia seguiu sem emoções. “Cada dia deveria ter uma emoção nova” - disse olhando o copo de café que se enchia na copa do sexto andar. Nenhuma novidade. Sentia-se estagnada no trabalho, como se não conseguisse utilizar mais de um por cento de seu cérebro. Sentada em frente ao computador, olhou a foto do sobrinho e sorriu. “Ele, sim, tem uma emoção nova a cada dia”. E retomou a sua rotina de trabalho.
O dia estava quente demais e sentiu-se aliviada de ter escolhido o vestido leve que estava usando. “Você não escolheu, sua louca. Ele estava à mão” – e soltou uma leve risada olhando imediatamente em volta para certificar-se de que ninguém a imaginava realmente uma louca naquele momento. Não. Estava sozinha naquele canto. “Gente! Acho que esqueceram de mim de pois de tanta mudanças nessa empresa”.
O dia passou como normalmente passava. “Tudo passa de qualquer jeito”. Olhou pela janela do respiradouro ao perceber algumas gotas de chuva grudadas no vidro e lembrou da última vez que, sem saber porque, permaneceu no trabalho até bem mais tarde para terminar um relatório e uma chuva inundou o bairro. “Ts-ts-ts. Dessa vez não!”. Enviou um último e-mail. Desligou o computador e apanhou a bolsa colocada no encosto da cadeira.
Foi novamente no sexto andar e tomou mais um copo de café acompanhado de um cigarro, lembrando que não hava fumado depois do almoço. “Boa menina. Tirando as condicionantes, heim!Isso vai sair da sua vida, garota. Ah! Vai!”.
Sua visão do dia anterior de chuva pareceu uma premonição e logo que chegou na portaria havia uma chuvisna e alguns raios no céu anunciavam chuva forte. Correu para o ponto de ônibus. “Deveria ter ido para o outro lado. Lá tem mais opções”.
O trânsito estava lento como sempre e parou justo quando a chuva prevista realmente caiu na cidade. “Ainda bem que não fiz escova”. Como se houvesse espaço sificiente o motorista parava em cada ponto pegando mais passageiros, que se amontoavam nos cantinhos e frestas entre um um e outro. “Otimo. Amassada. Empurrada. Encurralada”.
Com o humor abalado pela densidade demográfica do ônibus e pela lentidão do trânsito, chegou em casa duas horas mais tarde que o normal. Passou pela padaria olhando a vitrine dos pães imaginando como chegariam se resolvesse descer para comprar o lanche da noite. “Não!”.
Abriu a porta já tirando as sandálias para coloca-las ao lado do pé de sapato esquecido. Correu para o banheiro com a intenção de tirar o resto da roupa e tomar um banho para aquecer. “Hã?” – se perguntou, virando rapidamente para um monte de pelos que se aninhava no canto do sofá. Com se quisesse enxergar o vulto com nitidez, coçou os olhos esticando o pescoço e jogando a cabeça à frente enquanto cerrava os olhos na tentativa de entender o que acontecia ali. “Como assim, um gato?”.
Um gato, provavelmente, num desses momentos sui generis da vida de qualquer um, havia entrado pela porta entreaberta da manhã e acomodado-se sobre o sofá da sala. “Não gosto de gatos. Não gosto de animais de estimação! Não gosto de pelos” – quase bradou para si mesma. “Xô!... Xô!... Sai daí... Eu não gosto de gatos!” – gritou mentalmente enquanto agitava os braçso na tentativa de espulsar o gato, que permanecia enrolado e acabara de fechar os olhos depois do grito de Ana.
Continua...
sexta-feira, 12 de março de 2010
Uma Vitrine com Grandes Novidades
Hoje eu deixo jorrar as palavras de meus dedos sem a intenção de ser coerente ou exato no que falo. Sem me policiar com o distanciamento necessário e controlador da interpretação do outro sobre o que escrevo.
Estou novamente caminhando diante de uma nova vitrine que mostra as novidades dos dias que estão por vir. Novidades, claro, de dias possíveis e ainda não reais. Um futuro alternativo e possível. É bastante embaraçador quando a viagem virtual - acordado ou não - termina com o frio na barriga e a dor no peito, que qualquer criança desavisada imaginaria ser sufocamento.
Ontem fui interpelado por uma nova amiga que deu um nome um tanto precose ao "sufocamento". Mas não retrocedi - ato comum em outros momentos. Só fico preocupado com o que é possível no momento. Será pouco o que tenho a oferecer? Vou ser interpretado como um minimalista quarentão esquivador? Mas eu quero. E quero de forma crescente, apesar da ´recentidade´ da coisa.
Apesas da profusão de acontecimentos que me borbardeiam desde o início do ano -E olha que Maria, disse: "this year will be your year, Rogerio", no seu inglês britânico tão inconfundível - estou arrumando a casa. faltam ainda alguns apetrechos... Sei quais são (eu sei, e como sei). Passando por aí encontrei uma vitrine com coisas bem interessantes (Ah Vai... Todo mundo acaba se expondo a cada virada de esquina - hehehe)...
Bom, esse texto termina hoje aqui... Vou entrar na loja!
ALÉM DO HORIZONTE

Além do Horizonte
Onde a gente pode
domingo, 22 de novembro de 2009
Posso Ser Teu
Posso Ser Teu
Eu sei, você não fez nada
Mas eu estou aqui
Apaixonado sem saber o que faço de mim
Isso veio de graça
Veio sem eu permitir
Aperto no peito, eu me sinto assim
Mas você foge
Me nega
Eu peço, vem se apega
Posso ser teu
Cadê a coragem
Abre seu corpo e se entrega a essa viagem
A vida é tão curta
E eu posso te garantir
Parado a gente não vai ter lugar pra ir
Eu tenho tempo agora
E ele pode ser só seu
Cola comigo e vem ser todinho meu
Mas você foge
Me nega
Eu peço, vem se apega
Posso ser teu, cadê a coragem
Abre teu corpo e se entrega a essa viagem
Não sou parada errada
Você pode se amarrar
Casa, comida, roupa lavada, vem cá
Mas o dia passa
E eu não ouço sua voz
Você está errado me deixando pra depois
E você pode
Mas nega
Eu peço vem, se apega
Posso ser teu
Cadê a coragem
Abre teu corpo e se entrega a essa viagem
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Talvez
Talvez todos nós tenhamos nascido com a dádiva/sina eterna de buscar um destino intangível. Um destino colorido por alguns, sombreado por outros. Intocável para todos. Felicidade a dois.
Talvez façamos parte do grupo dos que buscam e, numa dimensão bem próxima, estão os que encontram. E a angústia da eterna busca; essa que nos impulsiona pra diante do muro invisível da incerteza, faz tudo ruir muitas vezes quando servimos à impaciência. Mas há a ousadia da eterna esperança que nos joga nos terrenos sempre virgens da inspiração, e que faz surgir os surpiros nos atos bem logrados.
Mais uma Vez
O coração bate
A gente muitas vezes não entende
É verdade: está em qualquer parte
Um sorriso se abre
A gente nem sempre pretende
Simplesmente acontece
Até pra quem nega e mente
Até pra quem usa máscara
Até pra quem teme
É verdade: a pele que sente
Uma ação inconsciente
As gente muitas vezes fica repelente
É verdade: a carne treme
Um frio que se estende
A gente nem sempre aprende
Simplesmente acontece
Até numa vida indolente
Até na velocidade que massacra
Até para quem nem percebe que perde
E a roda gira mais uma vez...
domingo, 8 de novembro de 2009
Prazo de Experiência
Suas somas se multiplicavam, suas divisões não diminuíam... Equações se soluções cartezianas... Depois da dizima, uma vírgula. Depois do singular o plural...
Um tempo sem espaço. Seus momentos não encontravam espaço para ter tempo. Um relógio que não parava. Ponteiros que não cruzavam. Horas que não se calavam.
domingo, 18 de outubro de 2009
Rise Up

Rise Up
My dream
Is to fly
Over the rainbow
So high
My dream
Is to fly
Over the rainbow
So high
My dream is to fly
Over the rainbow so high
My dream is to fly
Over the rainbow so high
Over the rainbow so high
My dream
Is to fly
Over the rainbow
So high
My dream
Is to fly
Over the rainbow
So high
My dream is to fly
Over the rainbow so high
My dream is to fly
Over the rainbow so high
Rise up
Don't falling down again
Rise up
Long time I broke that chains
I try to fly
Away
So high
Direction sky
I try to fly
Away
So high
Direction sky
My dream
Is to fly
Over the rainbow
So high
My dream
Is to fly
Over the rainbow
So high
Rise up, rise up, rise up, rise up
We'll be the game
Rise up, rise up, rise up, rise up
For my mind and my brain
My dream is to fly
Over the rainbow so high
My dream is to fly
Over the rainbow so high
Metade

Que a força do medo que tenho
Que a morte de tudo em que acredito
Que a música que ouço ao longe
Que as palavras que eu falo
Que essa minha vontade de ir embora
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Que a arte nos aponte uma resposta
E que a minha loucura seja perdoada
domingo, 27 de setembro de 2009
Gift Love

This is a Song For the Lonely

You Remind Me

Se meu Mundo Cair

California Dreamin

California dreamin
All the leaves are brown
On such a winter's day
California dreamin'
California dreamin'
All the leaves are brown
And the sky is grey
I've been for a walk
On a winter's day
I'd be safe and warm
If I was in L.A.
California dreamin'
On such a winter's day
Stepped into a church
I passed along the way
Then I got down on my knees
And I pretended to pray
You know the preacher likes the cold
He knows I'm gonna stay
California dreamin'
On such a winter's day
California dreamin'
On such a winter's day
California dreamin'
Pop Popular
You are my destiny

you are my Destiny
You are my destiny
You share my reverie
You are my happiness
That's what you are
You have my sweet caress
You share my loneliness
You are my dream come true
That's what you are
Heaven and heaven alone
Can take your love from me
'Cause I'd be a fool
To ever leave you dear
And a fool I'd never be
You are my destiny
You share my reverie
You're more than life to me
That's what you are
You are my destiny
You share my reverie
You are my happiness
That's what you are.
Mercedes Benz

Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends.
Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
So Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz?
Oh Lord, won’t you buy me a color TV?
Dialing For Dollars is trying to find me.
I wait for delivery each day until three,
So oh Lord, won’t you buy me a color TV?
Oh Lord, won’t you buy me a night on the town?
I’m counting on you, Lord, please don’t let me down.
Prove that you love me and buy the next round,
Oh Lord, won’t you buy me a night on the town?
Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends,
Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
So oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz ?
Perdido
Porque não estou feliz e quero voltar a sorrir...
Se você sabe como encontrar alguém, me inspira?
Porque estou sozinho e não sei pra onde ir...
Se você sabe como curtir um dia de sol, me encontra?
Porque meus dias estão nublados e me falta cor...
Se você sabe a direção dos raios de sol, me aponta?
Porque estou sozinho e me falta amor...
Se você sabe onde estou, me busca?
Porque não sei mais a rotação da minha vida...
Se você sabe pra onde vou, me ajuda?
Porque quero um recomeço ao invés uma nova despedida...
sábado, 27 de junho de 2009
Boca
Na pele, o arrepio do não tocado
O corpo abraça o travesseiro sem calor
É possível que a força queira esmaecer
E que o riso esteja amarrotado
Mas a boca úmida ainda tem sabor
A fluidez natural, agora encontra resistência
Kama, Karma, Sutra escondido
Na garganta, a timidez ganha terreno
É uma nova fase de resiliência
E do kundalini adormecido
Mas a boca úmida ainda tem veneno
Das Noites em claro aos dias apagados
Das estrelas que não são compreendidas
Aos rastros eternecidos
Um adeus aos gestos encouraçados
Às angústias, minhas despedidas
Porque minha boca...
Minha boca úmida está repleta de sentidos
Açuradada de gemidos...
quinta-feira, 25 de junho de 2009
On My Own

On My Own
I'm wiser now
I'm not the foolish girl
You used to know
So long ago.
I'm stronger now
I've learned from my mistakes
Which way to go
And I should know.
I put myself aside to do it your way
But now I need to do it all alone
And I am not afraid to try it on my own
I don't care if I'm right or wrong
I'll live my life the way I feel
No matter what, I'll keep it real you know
Time for me to do it on my own
It's over now
I can't go back to living through your eyes,
Too many lies
And if you don't know by now
I can't go back to being someone else,
Not anymore
I never had the chance to do things my way
So now it's time for me to take control
And I am not afraid to try it on my own
I don't care if I'm right or wrong
I'll live my life the way I feel
No matter what, I wanna keep it real you know
Time for me to do it on my own
Oh! I start again, go back to one
I'm running things in my way
Can't stop me now, I've just begun
Don't even think about it
There is no way around it
I'm taking names, the world is mine
Yes I'm gonna take my turn
It's time for me to finally stand alone
I am not afraid to try it on my own
And I don't care if I'm right or wrong
I'll live my life the way I feel
No matter what, I'm gonna keep it real you know
It's time for me to do it (on my own)
Chorus repeat
Que hiciste!
Qué hicisteJenifer Lopes
Ayer los dos soñábamos con un mundo perfecto
Ayer a nuestros labios les sobraban las palabras
Porque en los ojos nos espiábamos en el alma
Y la verdad no vacilaba a tu mirada
Ayer tu me juraste que este amor seria eterno
Porque una vez equivocarse es suficiente
Para aprender lo que es amar sinceramente
Hoy destruiste con tu orgullo la esperanza
Hoy empañaste con tu furia mi mirada
Borraste toda nuestra historia con tu rabia
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma
Nos obligaste a destruir las madrugadas
Y nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvidó que era el amor lo que importaba
Y con tus manos derrumbaste nuestra casa
Mañana no veré tu nombre escrito entre mis versos
No escucharé palabras de arrepentimiento
Ignoraré sin pena tu remordimiento
Mañana ni siquiera habrá razones para odiarte
Yo borraré todos tus sueños de mis sueños
Que el viento arrastre para siempre tus recuerdos
Hoy destruiste con tu orgullo la esperanza
Hoy empañaste con tu furia mi mirada
Borraste toda nuestra historia con tu rabia
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma
Nos obligaste a destruir las madrugadas
Y nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvidó que era el amor lo que importaba
Y con tus manos derrumbaste nuestra casa
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma
Nos obligaste a destruir las madrugadas
Y nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvidó que era el amor lo que importaba
Y con tus manos derrumbaste nuestra casa
quarta-feira, 24 de junho de 2009
O Livro de Capa Vermelha
O garçon passou por ela pela segunda vez para perguntar o que gostaria de comer ou beber, sem que conseguisse alcançar os pensamentos da moça, tão absorta que estava em seus devaneios.
"Garçon", por favor, o cardápio... Ao que o garçon indicou o que já havia colocado em sua mesa. Em um arfar sibiloso, ela abruiu e escolheu rapidamente... "E uma caipirinha de saquê, por favor". O agarçon assentiu enquanto anotava o pedido feito.
O restaurante ficava na cobertura daquele prédio de 19 andares. A vista privilegiada a noite, mostrava uma paisagem urbana reluzente de prédios e faróis. Olhou ao redor. Parecia que o restaurante estava completamente vazio. Talvez duas ou três mesas ocupadas.
"Alguma fruta de preferência, Senh...". "Kiwi, por favor". O garçcon afastou-se ligeiramente em direção ao balcão para fazer o pedido. Ela o acompanhou de soslaio, mas seus olhos se detiveram em um homem parado à porta, que observava o interior do do restaurante, como se estivesse buscando algum lugar confortável para sentar-se. Estava só.
O mesmo garçon que a atendera foi ao encontro do homem parado à porta. E após alguns segundos de conversa, o encaminhou a uma mesa reservada do outro lado do restaurante. uma mesa bem próxima à sacado do prédio, do lado de fora.
Ela se perguntou quem gostaria de ficar com uma mesa naquele local em uma noite tão fria. Mas logo percebeu que o homem estava trajado para vencer qualquer temperatura. Olhou atentamente. Termo e calça risca de giz. Camisa branca clássica. Gravata Skinny. Cardigã colorido. Sapato preto bico fino brilhante... Sobretudo preto.
Ao sentar-se o homem abriu habilmente todos os botoes se seu terno. e o sobretudo que já estava em sua mão repousou sobre o encosto da sua cadeira. El anunca tinha visto tanta destreza em etiqueta como esta vendo naquele momento.
"Senhora! O saquê, com gelo ou s...". "Sem, quero sem gelo". Fitou os olhos do garçon. No movimento do graçon, o homem olhou em sua direção. Involuntariamente, ela o olhou sobre o próprio nariz e mexeu levemente no cabelo. O homemcoçou a sombrancelha sem desviar seus olhos de sua direção... E chamou o garçon. Um pigarro veio em sua garganta e o pensamento de que talvez estivesse parecido leviana com aquele movimento... "Mas eu nem pensei em fazer aquilo, quando vi já tinha feito". Pensou quase em som alto. Quase em desespero.
Há algum tempo já não se via com qualquer atrativo. Seu casamento havia terminado há poucos meses e se olhar no espelho era um desgaste nos últimos dias. Assim como sua silhueta tudo a estava incomodando: a cor da casa, os móveis. Quando não estava no cimena, enfurnava-se no escritório ou debaixo das cobertas. Mais nos escritório que nas cobertas.
Pretendia a cada domingo dar um salto em direção a mudanças, mas ao acordar na segunda-feira a rotina de solidão a arrebatava novamente e prosseguia em seu ritmo desacelerado e sem perspectivas. Sabia que estava na hora de trocar a pele da vitimização, da auto-compaixão, mas o exercício era pesado naqueles momentos.
Assustou-se quando o garçon chegou com seu saquê, colocando levemente a mão sobreo colo. “Desculpe!”. Sorriu para o garçon, que deixava o copo sobre a mesa. Olhou detiamente sua bebida, enquanto lançava um olhar despretencioso em direção ao homem. Ele lia atenciosamente um livro de capa verlhelha e cintilante. “O que será que ele pediu?”. Em resposta, o garçcon passou com uma bandeja com uma garrafa de vinho e uma taça. O homem foi servido e degustou o vinho. Não aprovou. Delicadamente sussurrou algo ao garçon que apressadamente trouxe-lhe outra garrafa. Ao degustar mais uma vez, sorriu e assentiu com a cabeça. O graçon com semblante aliviado.
Percebia agora com mais detalhes o homem que chamava sua atenção. Provavelmente tinha 1,75 de altura. Branco. Cabelhos grilhalhos. Mas não aparentava mais que 40 anos. Corte moderno. Não era do tipo magro nem gordo... Nem do tipo que frequenta academias. Um tipo normal e charmoso.
Ele passou a mão nos cabelos, desarrumando um pouco o penteado. Afrouxou a gravata e desabou desleixadamente na cadeira... “Um charme!”. “Um homem clássico e despojado no final da noite”. “Um homem que tem mulher e filhos que o aguardam na sua casa arrumadinha e com uma vida perfeitinha”. Definiu o homem e sua vida e sem dar-se conta, soltou uma risadinha maliciosa. Talvez o efeito etílico do saquê e afrodisíaco do kiwi.
Seu prato chegou quase no mesmo momento que o pedido feito pelo belo homem que estava a poucos metros à sua frente. Curiosamente, ela levantou a cabeça para ver o que ele comeria, mas o desnível do piso em mármore Bochittino a impedia de ver com detalhes.
Lembrou-se de seu prato a sua frente: peito de pato defumado Gourmane com creme de tomate e coentro, batatas gaufrette e salada de endividas com Noz. Ela não tinha o hábito de comer comidas tão refinadas, mas junto com a depressão vinha a compusão por roupas e pratos caros. Vagarosamente, saboreou a comida que havia pedido, entrecortando o movimento dos talheres com olhares furtivos para o homem, que também jantava sozinho.
Um golpe de vento frio cortou o ar vindo da porta da sacada. Um jarro de plantas permanentes caiu próximo de sua mesa e o homem levantou os olhos em sua direção com ares de preocupação. Ao perceber o ocorrido levantou-se ligeiramente de sua mesa para dar-lhe atenção.
“Tudo bem. Obrigada”. “Não foi nada, mesmo”. Obrigada, obrigada”. O homem insistiu, perguntando se não havia algum vidro, pedindo que ela verificasse. Ela ficou de pé, um pouco constrangida e saciduiu a roupa com um sorriso consternado. “Viu? Estou sã e salva”. “Não se preocupe. Não aconteceu nada”. Não está frio lá fora?”. As palavras escapoliram de sua boca, que cerrou-se imediatamente apertando os lábios. “O vento está tão frio, e há tantas outras mesas...”. Emendou.
O homem sorriu e meneou a cabeça atendendo ao seu pedido. “Se importa que eu lhe faça companhia? De certo que já estamos quase terminando nosso jantar, m...”. “Claro! Qeuro dizer, não. Não me importo”. Com a classe que ela já esperava o homem solicitou ao garçon que o trocasse de mesa. E dirigiu-se a ela. “Sou Henrique...”. E seus olhos nos dela aguardavam que ela se apresentasse a ele... “Oh! Desculpe! Heloísa!”. “ Sente-se”.
Realmente não havia muito o que ainda comer de ambos os pratos. Conversaram pausadamente sobre amenidades. Ele tomando seu vinho, ela degustando mais do que lentamente seu saquê. “uma sobremesa? Por minha conta!”. “Não, obrigada! Realmente não tenho mais apetite para mais nada”. Nesse momento ela olhou para sua mão, que segurava o cardápio de sobremesas. Mãos fortes. Nem lisas nem com muitos pelos. Unhas bem cortadas. “Não tem aliança”. Quase Solfejou. “Nem marca de aliança”. Sorriu. “Acho que talvez algo com chocolate... Quem sabe...”. Manteve o sorriso congelado.
Ela falou um pouco sobre seu trabalho e descobriu que ele era do mesmo ramo, só que tinha atividades no exterior e estava expatriado há 5 anos. Estava no Brasil para um Seminário da Empresa. Terminaram e quando já não havia motivos para permanecerem no restaurante ele a perguntou se morava perto. Um frio percorreu-lhe a espinha. Passou a língua no canto superior dos labios, estreitando os olhos. “Mais uma vez, não”. Ela pensou desaprovando seu gesto incauculado. Ele sorriu. “Desculpe. Não quis parecer indelicado.” “Só queria acomanhá-la até a parte de fora. Você está sem casaco e a temperatura caiu bastante”. “Não... Nada”. “Pegarei um taxi aqui perto. Não se preocupe”. “Sou uma tola mesmo”. Prosseguiu em pensamento.
“Permite?”. Indagou cerimoniosamente o Henrique, estendendo-lhe o braço. “Obrigada!”. Agradeceu a gentileza que nunca tinha recebido, reribuindo com o seu braço contornando o dele. Piscou ligeiramente os olhos. “Vamos?”. Ela disse.
Seguiram lentamente pelo hall do restaurante e tomaram o elevador panorâmico, olhando as luzes da cidade que acendiam e apagagam num cintilar vibrante... Como aquele jantar inusitado. “Eu fico aqui”. Disse-lhe ele. “Eu seguirei um pouco a pé”. “Gosto do frio passando no meu rosto”. Minha casa é aqui perto”. Eu a acompanharia, mas tenho que estar de pé bem cedo. “Você não gost...”. “Obrigada pela Companhia.” Interrompeu ela. “ Foi muito agradável”. Ele sorriu timidamente, como se estivesse constrangido por ter sugeri algo não condizente com a Dama a sua frente. Apertaram as mãos.
Ele tomou o táxi e ela seguiu em frente. Alguns passos depois virou-se. O corpo completamente arrependido. Não viu mais o carro. Correu com os saltos altos em direção à esquina, mas somente as lanternas trazeiras e vermelhas do carro foram vistas ao longe. Lembrou-se rapidamente do livro de capa vermelha, que por algum motivo ficara em sua mão. Ergueu-o sem jeito na tentativa de chamar a atenção do táxi. Olhou para o livro e abriu-o em busca de alguma referência. Nada,.. Girou sobre os calcanhares hesitosa, ainda olhando o carro que diminuia com a distância. E retomou sua caminhada solitária em direção a sua casa.
domingo, 31 de maio de 2009
Tempestades e Calmarias
Assim como dizem que amor e ódio caminham juntos, o mesmo acontece com as tormentas e calmarias, pois são reciprocamente causais em muitos momentos e naturalmente interdependentes... Sempre.
Hoje penso que o olhar atendo para a tormenta não a transforma em algo essencialmente ruim ou que deve ser combatido. De uma forma geral ela deve - isso sim - ser vivida. É comum perguntarmos 'porque isso está acontecendo comigo?', mas na verdade não estamos fazendo uma pergunta. Estamos trabalhando auto-vitimização. O que velamos, aí sim, é a resposta. E talvez o que devamos realmente nos perguntar é 'o que levou a isso?', 'o que vou fazer com isso?'.
E esse é o nó da história: nos colocarmos na tormenta como atores coadjuvantes ou principais da cena, afinal quem disse que não causamos tormentas? Mas negação também faz parte. Tormento de fato é se colocar na defensiva... Às vezes de si mesmo (e acabamos combatendo a nós mesmos). Então o processo é mais longo, destrutivo... Um sofrimento maior que o necessário. Desespero sem enfrentamento.
Mas e quanto as calmarias? Tudo blue, como se diz. Felicidade sem questionamentos. E os pequenos tropeços e desventuras são na verdade inperceptíveis. São mesmo? Não acionamos o botão de alerta na felicitade porque dela a gente dá conta ou porque isso pode trazer a sensação de que ela também pode ter fim?
Nesse caso porque não se perguntar 'o que levou a isso?' e 'o que vou fazer com isso?' novamente. Porque não faz sentido colocar esse questionamento? Seria o medo de a resposta não apontar para zonas de conforto?
Na relação entre tormenta e calmaria é importante um equilíbrio entre razão e emoção. De forma equivocada nos colocamos cartezianos quanto a isso. Ou é emoção ou é razão. Mas hoje penso que há uma terceira alternativa.
A razão está para a emoção , assim como a crítica está para a solução. Em inúmeros momentos é importante afastarmo-nos da passionalidade... E ser razoável não obstrui a emotividade. O uso da razão é diferente da falta de emoção.
Quando nos afastamos do centro da tormenta ou da calmaria em um movimento de abstração percebemos o núcleo, o centro nervoso gerador da alegria ou da felicidade. Às vezes o desenho não é o que exatamente esperávamos ver: não está tão ruim como imaginávamos ou não está tão bom quanto esperávamos.
Não é um simples exercício. Mas é um exercício necessário, pois invariavelmente estamos na gangorra da tormenta e da calmaria... Uma vez uma, uma vez a outra.
Tormentas podem ser o prenúncio de calmarias, que podem ser o prenúncio de tormentas... Mas optamos por ficarmos histéricos com uma ou com a outra, desequilibrando a possibilidade de visualizar o que está a frente da densa cortina das emoções. O que também faz sentido, afinal não fomos criados para desmazelos e só para o... Como eu disse?... Para o que é blue.
Antes eu achava que deveria viver a dor, mas não o sofrimento. Mas escutei e vivi, que sofrimento também faz parte, e o que realmente devemos fazer é não nos desesperarmos. O que também vale para a felicidade: alegrar sem exagero.
Não que isso deva no transformar em autômatos do novo milênio, mas pode nos trazer mais dinamismo para lidar com com as transformações que nos são apresentadas nessa nova era... Além disso, tudo está tão igual e tão diferente, que é dificil falar do que era, do que é e do que será... Só dá mesmo pra falar de transformação... O ressignificado que damos (às coisas e as pessoas) a partir do que conseguimos fazer disso tudo que está aí fora.
Tormenta ou calmaria? Prefiro ambos. É possível que em outro mundo eu conseguisse viver sem, mas neste - vamos lá, sem enganos! - não dá!
Então, se eu fosse dar um conselho eu diria que é melhor você passar a olhar, de fora, para dentro de onde você está. Além de se ver, determinadas situações poderiam ter mais ou menos valor... Dependendo das suas escolhas.
Eu estou nesse movimento... Tentanto, é claro.
La Bilirrubina
La BilirrubinaJuan Luiz Guerra – 4.40
Oye, me dió una fiebre el otro día
por causa de tu amor, cristiana
que fuí a parar a enfermería
sin yo tener seguro a cama
Y me inyectaron suero de colores,
y me sacaron la radiografía
y me diagnosticaron mal de amores,
uhal ver mi corazón como latía
Oye, y me trastearon hasta el alma
con rayos equis y cirugíay
es que la ciencia no funciona
sólo tus besos, vida mía
Ay negra, mira búscate un catéter, eye
inyéctame tu amor como insulina
y dame vitamina de cariño, ¡eh!
que me ha subido la bilirrubina
Ay...Me sube la bilirrubina
¡ay! me sube la bilirrubina
cuando te miro y no me miras¡ay!
cuando te miro y no me miras
y no lo quita la aspirina
¡no! ni un suero con penicilina
es un amor que contamina
Ay negra, mira búscate un catéter,
eye inyéctame tu amor como insulina
vestido tengo el rostro de amarillo, ¡eh!
y me ha subido la bilirrubina...
domingo, 17 de maio de 2009
O Embaraço de Agusta
- Ele vai me matar! – pensou, imaginando a cara de seu chefe quando soubesse de seu mais recente atraso.
Correu. Jogou-se no box do banheiro e deixou que a água necessária tirasse o marasmo de seu corpo, que ainda dormia.
- Marina! – gritou à filha ainda do banheiro – faz um café correndo pra mamãe, faz?!?!
Marina dormia e sequer ouviu o apelo desesperado da mãe viciada em cafeína, o que gerou mais uma daquelas costumeiras chamadas de atenção matinais sobre o quanto Marina dormia, era preguiçosa e só queria saber das amiguinhas do colégio.
Sem o café, saiu. Bateu a porta. Esqueceu os óculos e as chaves do apartamento. Voltou da portaria e tocou a campanhia. Marina levou mais um sabão pela demora em abrir a porta, o que não surtiu muito efeito pois voltou para cama sem ao menos dar-se conta de que havia saído dela.
Com o retorno para pegar as chaves perdeu a barca para a Praça XV e teria que ir de ônibus, pegando todo o engarrafamento da Avenida Brasil naquele horário. Não acreditava no que estava acontecendo.
O que acontecia na verdade é que Augusta era uma ratinha de salas de bate-papo. Não resistia a um clique na “rede dial up” após a meia noite para dar uma passadinha em seu cadastro no Par Perfeito e dali... Ah! Dali sempre viajava na larga envergadura das asas da internet... Em busca de um par perfeito, claro!
Naquela noite não foi diferente. Automaticamente, como um reloginho virtual, os dedos de Augusta digitaram seu código de acesso... E o mundo estava aos seus pés novamente. Ficou até quatro horas da madrugada clicando com uma figura de Porciúncula. Acabaram brigando, pois ela era Assistente Social, e do PMDB, e ele era um Economista filiado ao PT. Não ia dar certo.
O ponto de ônibus estava cheio e ela não tinha a menor idéia de quando nem como o ônibus iria passar. E ele passou no justo momento do pensamento. Seu corpo parecia querer apoiar-se em qualquer anteparo, buscando um motivo qualquer para descansar, que não fosse a noite de vigília em frente à tela sedutora do computador.
Conseguiu um lugar no fundo, caso o ônibus enchesse, já estaria perto da saída. Quando entrou notou um rapaz de seus vinte e seis anos, cabelo castanho bem penteado, cavanhaque, terno e pasta, muito bonito, com cara de simpático...
Sentou-se a sua frente. Inclinou a cabeça no encosto do banco e cochilou. Sentiu o ônibus sair mas não quis abrir os olhos ou mexer-se. Ficaria ali quietinha até chegar à Presidente Vargas.
- Oi... Olha, não precisa falar nada. Não quero te incomodar...
Augusta imaginou que estava sonhando e como ainda faltavam bons quilômetros a serem percorridos, deixou fluir.
- Quando você passou por mim, não deu pra resistir...
Não. Não era um sonho. A voz vinha do banco de traz. Mais especificamente do garotão simpático. Olhou de rabo de olho. Não tinha ninguém ao lado dele...
- Ele está me cantando na cara de pau – pensou quase em voz alta.
- Eu geralmente não faço isso... Mas se estiver incomodando...
Ela aconchegou-se mais para perto como se estivesse dormindo. Imóvel, parecia uma parabólica a capturar qualquer palavra que saísse daqueles lábios.
- Que soninho, heim? Acho que te acordei!
Augusta mexeu-se para que ele percebe-se que talvez ela estivesse acordada e escutando os galanteios.
- Você sabe que esse seu cabelo me deixa sem ar? Essa cor... Sei lá essa cor é o que há!
- “É o que há”. Puta que pariu. Um homem desses me dizendo que meu cabelo é o que há! – pensou. E automaticamente mexeu na franja que lhe caia sobre os olhos, destapando-os.
- Não sei não. Mas se você quiser a gente pode tomar um café hoje e...
Café. Um homem jovem que chamava para tomar café e não uma gelada. Um homem que ainda não havia chamado ela de gostosinha ou algo parecido. Um homem bonito. Dentro de um ônibus que ela não iria pegar! Agradeceu ao PT, à Marina, à barca que saiu britanicamente no horário... Agradeceu aos santos, orixás, aos mentores espirituais...
Era a sua vez. Tinha que demonstrar interesse senão o cara ia cansar da investida. Abriu lentamente os olhos abriu um livro de Direitos Humanos. Passou novamente a mão no cabelo, jogando-o para trás. Tirou as lentes escuras de seus óculos. Ajeitou-se no banco e, fingindo ler as linhas que estavam em seu campo de visão, ficou olhando pela janela com um meio sorriso esboçado no canto da boca. Na verdade tentava ver, pelo reflexo do vidro, o homem que a estava cantando.
- Você é linda sabia! – continuou o homem – acho que dei a sorte grande... Bom, ainda não sei. Você não fala nada...!
Decidiu. “Sem essa de bancar a mulher tímida”, pensou. “Eu, heim, só aparece homem virtual, com desejos, idades virtuais e...” – parou o encadeamento dos pensamentos.
Virou-se lentamente. Cabeça, tronco e olhos harmonizados. Ao terminar o movimento de rotação olhou direto nos olhos do rapaz... A situação a deixou ainda mais constrangida, envergonhada, quis morrer, saltar do ônibus ali mesmo. O sujeito, que apoiava sua cabeça no antebraço colocado no encosto do assento de Augusta, falava ao celular.
O homem percebeu a mudança dela e levantou os olhos. Soturnamente, com se quisesse manter a conversa em sigilo voltou o corpo para o encosto, abaixou a Voz e continuou a conversa.
Augusta nem havia notado seu retorno à posição inicial. Abaixou o livro como se retomasse a leitura, mas já não enxergava nada, tamanho o desapontamento.
- Então... Pensou que eu não ia ligar, não foi? – Continuou o rapaz.
